Muitas vezes, os efeitos decorrentes de sustos persistem em nosso organismo, como o aumento da frequência cardíaca, além dos sentidos que permanecem alertas para outra potencial “ameaça”.
Assim como em humanos, os camundongos também apresentam esse tipo de resposta prolongada frente a estímulos ameaçadores, como a presença de um rato. No entanto, os processos neurais envolvidos nesse tipo de resposta permaneciam obscuros até o momento.
Pensando neste contexto, buscamos um artigo científico que trouxesse maiores esclarecimentos sobre o medo e sua persistência no cérebro.
Recentes descobertas sobre mecanismos neurais
Cientistas da Caltech na Califórnia, publicaram recentes descobertas sobre os mecanismos neurais envolvidos nas respostas de medo persistente.
A equipe descobriu que o estado de medo persistente não se deve simplesmente à elevação de hormônios envolvidos na resposta ao estresse, mas também envolvem intensa e contínua atividade elétrica no cérebro.
Neurônios do tipo SF-1 do núcleo ventromedial do hipotálamo, foram ativados quando os camundongos eram expostos a uma ameaça (presença de um rato), permanecendo ativos por dezenas de segundos mesmo após o fim do estímulo.
Os neurônios do hipotálamo geralmente são associados a respostas rápidas e reflexas (recebem um estímulo, reagem de acordo e desligam-se novamente). Curiosamente estas novas descobertas mostram que nem sempre é assim.
Mas como essa atividade neural persistente durou dezenas de segundos?
Nesse caso, os neurônios podem formar um ciclo de feedback neural que causa ativação dos neurônios de forma sequencial. Outra alternativa é que os neurônios podem liberar neurotransmissores que continuam provocando sua reativação ao longo do tempo.
No entanto, análises de modelagem computacional sugerem que nem a excitação recorrente nem a ação de neuromoduladores de ação lenta por si só, podem ser responsáveis por essa atividade persistente, sendo necessário conduzir mais estudos para entender completamente estes mecanismos.
O medo e o cérebro
Em resumo, o trabalho mostra que uma dinâmica neuronal lenta específica no hipotálamo, em uma escala de tempo mais longa do que a memória de trabalho no córtex, por exemplo, contribui para a manutenção de um estado de medo persistente.
Ou seja, você que costuma assustar seus amigos, saiba que talvez essa não seja uma boa ideia!
Referência:
Kennedy, A., Kunwar, P.S., Li, Ly. et al. Stimulus-specific hypothalamic encoding of a persistent defensive state. Nature 586, 730–734 (2020). doi: 10.1038/s41586-020-2728-4