23/04/2026

Quando os hormônios mudam, o emagrecimento torna-se mais desafiador

Estudo observacional sugere possível maior emagrecimento com terapia hormonal associada à tirzepatida, mas evidência ainda é limitada

Para muitas mulheres, perder peso após a menopausa deixa de ser apenas uma questão de disciplina e passa a envolver também mudanças profundas no funcionamento do corpo. Alterações hormonais impactam o metabolismo, favorecem o acúmulo de gordura e influenciam o apetite, além de estarem associadas a um maior risco de doenças como diabetes tipo 2 e problemas cardiovasculares.

Um estudo recente da Mayo Clinic – uma organização sem fins lucrativos, focada em atendimento clínico, educação e pesquisa – publicado na revista The Lancet, na editoria de Obstetrics, Gynaecology & Women’s Health, trouxe um novo elemento a essa discussão: mulheres na pós-menopausa que combinaram terapia hormonal com a tirzepatida, medicamento usado no tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade, apresentaram uma perda de peso até 35% maior em comparação às que utilizaram apenas o fármaco.

A imagem mostra um retrato em plano médio (da cintura para cima) de uma mulher jovem, com pele clara e cabelos castanhos claros, longos e ondulados, que caem sobre seu ombro direito. Ela está posicionada no centro da foto, levemente voltada para a esquerda, mas com o rosto e o olhar direcionados para a câmera, exibindo um sorriso suave e gentil. Ela veste uma blusa de gola alta e mangas compridas na cor azul-marinho.

Os resultados reacenderam o debate sobre os desafios do emagrecimento nessa fase e o papel que a terapia hormonal pode ou não desempenhar nesse processo. Para a doutora em Fisiologia da Reprodução Isabelle Rodrigues dos Santos, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, que pesquisa os efeitos da terapia hormonal na resposta ao estresse em modelo animal de perimenopausa, o emagrecimento tende a se tornar mais difícil nessa fase por diferentes fatores, principalmente pela queda do estrogênio. “Com a redução do hormônio ao longo da vida, especialmente na perimenopausa e na menopausa, acontecem mudanças na composição corporal, como o aumento de gordura, especialmente na região abdominal, perda de massa muscular e alterações no metabolismo como um todo. Não é só uma questão de hábito de vida, existe também uma base fisiológica importante que dificulta o controle de peso nessa fase”, comenta.

Segundo Isabelle, a resposta ao estresse também exerce influência importante sobre o metabolismo nesse período. “Isso acontece porque a menopausa não envolve apenas as mudanças hormonais, mas também sintomas, como ondas de calor, conhecidos também como fogachos, suores noturnos, a piora do sono, afetando diretamente o bem-estar da mulher. Quando a mulher está com o sono ruim, causa mais ansiedade e desconforto físico, impactando a motivação e a capacidade de manter os hábitos saudáveis, tanto com uma alimentação mais equilibrada ou a prática regular de atividade física. Tudo isso fazendo com que a mulher ganhe peso e tenha dificuldade em emagrecer”, completa.