28/04/2026

Ganho de peso na menopausa: mudanças começam antes do que as mulheres imaginam e exigem atenção

Alterações hormonais e envelhecimento influenciam o metabolismo feminino, mas hábitos de vida e informação podem ajudar no controle e na prevenção de riscos à saúde

O ganho de peso em mulheres não começa apenas na menopausa. No Brasil, cerca de 30 milhões de mulheres são afetadas por condições relacionadas à menopausa precoce, segundo a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). Esse processo pode ter início ainda na vida adulta e se intensifica com o envelhecimento e as mudanças hormonais típicas dessa fase, impactando o metabolismo, a composição corporal e o risco de doenças. Para muitas mulheres, essas transformações acontecem de forma gradual e pouco compreendida, o que dificulta o reconhecimento precoce e o cuidado adequado.

Segundo a Mayo Clinic, o ganho de peso pode começar já por volta dos 30 anos, quando ocorre uma redução progressiva da massa muscular. Essa mudança diminui o gasto energético do corpo em repouso e favorece o acúmulo de gordura ao longo do tempo.

“Isso significa que o organismo pode passar a gastar menos calorias para funcionar, o que, ao longo do tempo, pode favorecer o ganho de peso se os hábitos de vida não acompanharem essas mudanças”, afirma Isabelle Rodrigues dos Santos, doutora em Ciências com ênfase em Fisiologia da Reprodução pela FMRP-USP e Diretora de Operações na Dr. Fisiologia.

O peso muda antes da menopausa

O envelhecimento natural já traz alterações importantes na composição corporal. Há uma tendência de redução da massa magra e aumento gradual da gordura corporal ao longo da vida adulta.

Essa perda de massa muscular tem impacto direto no metabolismo, já que o músculo consome mais energia do que a gordura. Com menos massa muscular, o corpo passa a gastar menos calorias em repouso, o que facilita o ganho de peso ao longo dos anos.

“O músculo é um tecido que gasta energia mesmo quando estamos em repouso (ou seja, é metabolicamente ativo). Quando a massa muscular diminui, o corpo passa a gastar menos calorias ao longo do dia. Por isso, se a ingestão de calorias se mantém igual à de antes, isso pode resultar em um excesso de energia no organismo, favorecendo o ganho de peso ao longo do tempo.”, explica Isabelle.

Com o tempo, esse excesso pode se transformar em gordura, especialmente na região abdominal. Além disso, a redução da massa muscular dificulta o uso da glicose pelo organismo, o que pode favorecer a resistência à insulina e aumentar o acúmulo de gordura. Esse processo é contínuo e não começa na menopausa, mas tende a se tornar mais perceptível com o avanço da idade.

O que a menopausa acrescenta a esse processo

A menopausa intensifica mudanças que já estavam em curso. O artigo The Menopause Transition: Signs, Symptoms, and Management Options, publicado no The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, descreve que essa fase é marcada por flutuações hormonais e, posteriormente, pela redução consistente dos níveis de estrogênio, o que afeta diferentes sistemas do organismo.

“Essa mudança costuma trazer efeitos mais visíveis, como aumento da gordura abdominal, alterações no sono, no humor e maior risco de problemas metabólicos. Na prática, a diferença é feita observando a idade, o histórico menstrual, os sintomas e, em alguns casos, exames”, informa Isabelle.

Evidências publicadas na revista Best Practice & Research Clinical Obstetrics and Gynaecology indicam que a transição menopausal está associada ao aumento da gordura corporal, especialmente na região abdominal, com maior acúmulo de gordura visceral.

Outro estudo do The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism aponta que esse período também está relacionado à perda de massa magra, contribuindo para alterações relevantes na composição corporal.

Já o artigo Menopause: a cardiometabolic transition, da revista The Lancet Diabetes & Endocrinology, mostra que a menopausa está associada a mudanças metabólicas importantes, como aumento da resistência à insulina, alterações nos níveis de lipídios e maior risco de doenças cardiovasculares.

O segundo artigo da mesma série, Management of menopause: a view towards prevention, destaca que condições como ganho de peso, obesidade e síndrome metabólica podem se manifestar nos anos seguintes à menopausa, reforçando a importância da prevenção e do acompanhamento.

Além das alterações metabólicas, essa fase também está associada a sintomas que afetam a qualidade de vida. Estudo publicado na revista PLOS ONE aponta que mais de 70% das mulheres apresentam sintomas vasomotores, como ondas de calor e suores noturnos, que podem interferir no sono e nos hábitos de saúde.

Transição cardiometabólica

O ganho de peso na menopausa não deve ser analisado apenas pelo número na balança. Ele faz parte de uma transição mais ampla, com impacto direto na saúde metabólica e cardiovascular.

As mudanças na composição corporal e no metabolismo durante essa fase aumentam o risco de doenças cardiovasculares, especialmente na meia-idade, como apontam estudos publicados na The Lancet Diabetes & Endocrinology.

Esse cenário reforça a necessidade de olhar para a menopausa como um período estratégico para prevenção e cuidado em saúde, especialmente diante do envelhecimento da população feminina.

Caminhos para o cuidado

Apesar das mudanças hormonais, o ganho de peso não é inevitável.

“A vida moderna pode intensificar os desafios da menopausa. Sedentarismo, alimentação de baixa qualidade, falta de sono e estresse constante criam um ambiente que favorece o ganho de peso e piora sintomas como cansaço, irritação e dificuldade para dormir. Além disso, esses fatores aumentam o risco de doenças metabólicas e cardiovasculares, que já tendem a ficar mais comuns nessa fase da vida”, destaca Isabelle.

A prática regular de atividade física, incluindo exercícios aeróbicos e de força, é fundamental para preservar a massa muscular e auxiliar no controle do peso. A recomendação é de pelo menos 150 minutos de atividade física por semana.
A alimentação equilibrada, com menor consumo de alimentos ultraprocessados, também contribui para manter o equilíbrio metabólico.

Além disso, artigo da revista The Lancet Diabetes & Endocrinology sobre o manejo da menopausa destaca que intervenções precoces, incluindo mudanças no estilo de vida, podem melhorar a qualidade de vida e reduzir riscos associados ao envelhecimento.

“O estilo de vida moderno pesa bastante nesse processo. Ficar muitas horas sentada, se movimentar pouco ao longo do dia, dormir mal e consumir mais alimentos ultraprocessados são fatores que favorecem o ganho de peso em qualquer fase da vida mas, neste período, isso pode ser intensificado”, indica Isabelle.

Outro ponto importante é o acesso à informação. Revisão publicada na revista Maturitas aponta que muitas mulheres ainda enfrentam dificuldades para compreender e discutir a menopausa, o que pode impactar o cuidado e o manejo dos sintomas.
“Quando a mulher não recebe informação adequada, ela pode achar que tudo o que acontece nessa fase é inevitável e que não há nada a fazer. Isso atrasa o cuidado e dificulta a adoção de hábitos e tratamentos que poderiam melhorar muito a qualidade de vida”, afirma a Diretora de Operações.

Informação e autonomia no cuidado

A menopausa é uma fase natural da vida, mas seus impactos variam entre as mulheres. Artigo publicado na revista The Lancet indica que fatores individuais, sociais e comportamentais influenciam essa experiência, reforçando a importância do acesso à informação e do cuidado individualizado.

Ampliar o conhecimento sobre essas mudanças permite que as mulheres reconheçam os sinais do corpo e adotem estratégias mais eficazes de prevenção e cuidado. Mais do que tratar sintomas, o acompanhamento adequado pode contribuir para uma melhor qualidade de vida e redução de riscos futuros.

“Com informação, ela consegue tomar decisões mais conscientes sobre alimentação, atividade física e quais os tratamentos possíveis para seu caso. Isso também reduz o medo, o estigma e a sensação de perda de controle”, conclui Isabelle.

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