11/02/2024

Dr. Rafael Appel explica os efeitos do consumo de álcool em dias de calor extremo

O Álcool e a Desidratação

O álcool inibe a produção do hormônio antidiurético (vasopressina ou ADH). Esse hormônio é responsável por fazer os rins reabsorverem água. Quando ele é bloqueado pelo álcool, os rins eliminam mais água pela urina do que o normal. No calor, o corpo já está perdendo muito líquido pelo suor para tentar se resfriar; o álcool acelera esse processo, levando a uma desidratação severa mais rápido.

Riscos para a Saúde
Além da desidratação, o consumo em excesso sob calor intenso pode:

Agravar doenças: Pessoas com problemas cardiovasculares, neurológicos ou psiquiátricos correm mais riscos, pois o calor e o álcool alteram a pressão arterial e o funcionamento cerebral.

Mascarar sintomas: Sob efeito do álcool, a pessoa pode não perceber sinais críticos de insolação ou superaquecimento, como tontura e mal-estar, demorando a buscar ajuda.

Aumentar a temperatura corporal: O álcool causa vasodilatação, o que pode dar uma sensação inicial de calor na pele, mas interfere nos mecanismos naturais de regulação térmica do corpo.

Recomendações de Segurança
Para quem optar por beber mesmo em dias muito quentes, os especialistas recomendam:

Intercalar com água: Beber pelo menos um copo de água para cada dose de álcool.

Moderação estrita: Reduzir a quantidade habitual. A recomendação sugerida é de no máximo duas latas de cerveja (ou taças de vinho) para homens e uma para mulheres e idosos.

Alimentação: Nunca beber de estômago vazio, pois a comida retarda a absorção do álcool.

Escolha das bebidas: Bebidas com menor teor alcoólico (como cerveja ou drinks com muitas frutas e gelo) são menos prejudiciais que destilados puros no calor.